Dr. Fritz (gravura) e Zé Arigó operando (foto)
         
Dr. Fritz

Dr. Fritz

A Rubens, Murilo e João de Abadiânia.

“For he who lives more lives than one

More deaths than one must die.” Oscar Wilde.

 

 

Um médico alemão na I Guerra

Vem à pátria dos místicos e enfermos,

Das maiores naturais belezas da terra,

Dos ladrões ricos entre muitos pobres...

 

José Arigó dá de curar ao ermo...

Tumor em Bittencourt, filha de Kubitschek...

Meus caros Belk e Laurence, o termo,

Enfim, isso não é coisa de moleque...

 

Depois Edivaldo assume o austero ofício...

Maurício em Mato Grosso, Edson Queiroz...

Mortes trágicas de médiuns... Sacrifício?...

 

O Aleijadinho o trouxe ao trabalho atroz!...

Charlatães? Acaso algum Adolf Fritz no início?

Minha alma diz: -Cura-me da falta em vós!

 

 

Idomeneu
Idomeneu, Rei de Creta
Idomeneu, Rei de Creta
A Hans Neuenfels, Freud e Jung, Abraão e Isaac.
“Nettuno s'onori,
Quel nome risuoni,
Quel Nume s'adori,
Sovrano del mar;
Con danze e con suoni
Convien festeggiar.” Idomeneo, Mozart / Varesco.
“Na cidade Ocian, cujo nome, ao acaso
Se refere ao seu reino vasto ao poente...
E o eco dos pensamentos passa no ocaso...” Neptuno, autocitação...

Para aplacar a fúria dos mares,
Destes mares infinitos a cercar meus sentidos
E minha consciência, e meu olhar sofrido,
Canto a Netuno, antes os olhares
Estupefatos de meus marujos,
Temerosos de que a morte lhes sobrevenha pelas águas...
A promessa que me causara lágrimas de imensas mágoas...
Fiz ao deus dos mares da qual ora fujo...


Idamantes, filho, por que cargas d’água, ó infortúnio,
Tivera aquele momento que estar à praia?
A sorte sorri tanto quanto a tragédia ensaia!
Porém, como não o reconhecera ao plenilúnio?
Idamantes és como sou, minha imagem no espelho,
Com o tempo, não nos reconhecemos mais,
Ante o que éramos e o que somos ou seremos, ademais
Se mesmo o sangue azul é vermelho....

Ília, princesa Troiana, prisioneira de Cretenses,
Quis Cupido que a flechasse ao olhar para Idamantes...
Electra, concorrente no amor, que substitui o proibido de antes
E que assim ao complexo por ora vences...
Ante tanta vida e tantas disputas,
Ondas colossais assolam meu reino ilusório,
Solto meu choro grego num inespecífico latinório,
Cercado de imagens de santas e putas...

Arbaces, consulto-o, é para isto que serves...
Que Idamantes fuja? Se resolves com Poseidon depois à vigília...
Mas hoje eu sou uma Ilha, meu reino é uma Ilha,
Que o sentimento mais nobre ante à vida se conserve!
Afogados, náufragos, desolados, refugiados,
O Sacerdote apela para minha consciência...
Se algo prometi nesta vida que se cumpra com decência...
Que governo? Que direção? Desagradei aos deuses honrados?

No extremo da decisão extrema...No apogeu do conflito...
No Íntimo de minh’alma, busco a voz do coração...
E eis que Idamantes, que sou eu ao fim de minha razão,
Se apresenta para o sacrifício maldito!
Ília, por amor desta imagem,
Se joga aos meus pés em ato de paixão e coragem,
Oferecendo-se ao fado explícito...


Mas, ouvindo minhas preces, eis que Netuno
Com voz tronitroante se faz ouvir
E declara que meu reino precisa doutro rei para não ruir,
É Idamantes, e Ília, sua rainha!... Destronamento oportuno...
Electra, irada, deságua seus sentimentos desde Clitemnestra...
Salvo-me de meu suplício!
Meu reino? Idamantes sou eu enfim, renovado, vívido de inícios...
E festeja-se o himeneu de Eros com a Psique que a consciência orquestra ...
Deuses...a Fortuna e a Sorte...

Selene, de Edward John Pointer         

   

Zeus, Hebe e Ganimedes, de Giovanni San Giovanni 

 

Hades, pintura grega...   

   

                               Bronzino, Triunfo de Vênus

Mapa Astral da Sorte

Mapa Astral da Sorte

A Johann Muller, Paracelso e Janus Boriones

“Vocês precisam acreditar em mim. Eu sou Astrólogo!” Raul Seixas.

 

Vejo Vênus em conjunção com Marte,

A deusa do amor e o belígero Ares...

Urano, no Céu, opõe-se com arte

Á traição a Hefesto, rei dos forjares...

 

Mercúrio veloz voa ligeiro a dar-te

Do ascendente no horizonte dos mares

A linha. Hélio solar mira alcançar-te

Os anéis de Saturno, rei dos dinares...

 

A Lua selene olha Júpiter justo,

Que, por sua vez, chama obscuro Plutão,

Este das profundezas admira o busto

 

De Perséfone. Na justa razão

A roda da fortuna, sem custo,

Por Cronos é confiada às minhas mãos!...

 

   

A Criação de Adão - Michelângelo
O Nome de Deus
O Nome de Deus
“Falou Deus como quem conhece os corações, e sabe o que mais estima quem verdadeiramente ama.” Pe. Antônio Vieira.
“O Jove much-honored, Jove supremely great,
To thee our holy rites we consecrate,
Our prayers and expiations, king divine,
For all things round thy head exalted shine.” Hino Pitagórico a Jove (tradução de Thomas Taylor)

Qual o verdadeiro nome de Deus?
E o nome é de fato o real conceito?
Se os gregos de antes o chamavam Zeus,
Se por Júpiter Roma o fez aceito;

Se este Deus representa a Justiça,
A Tolerância, a Compaixão e o Amor,
Seja o nome que lhe damos à missa,
Não sirva à cobiça e razão de dor!...

Se os árabes tomam-no por Alá,
Ou os índios por Tupã, e se há quem chama
Seu nome Odin, Olorum ou Jeová...

E ainda, os vedas e hindus vêem-no por Brahma,
Se um nome mui antigo era Dyaus Pitá,
Na fé revive-se a fé de quem o clama!

São Paulo, 31/12/2006
Netuno
Neptuno
Neptuno
Ao Prof. Alberto Bernine, Adams & Galle.
“Tem estátua na Ocian, / Um Rei que não é dos Unos, / É sim, o senhor do mar, / O grande astro Netuno.” José Florindo.
“Vós, elfos das montanhas e córregos, das lagoas tranqüilas e dos bosques, / Que nas areias, com pés não deixam rastro / Perseguem Netuno na vazante ou dele fogem / Quando volta...” Shakespeare.


Eis! Deus das profundezas dos sete mares,
Dos oceanos infindos à minha vista,
Do horizonte oculto em nuvens cumulares;
Vem na sua biga de cavalos marinhos...
Que lançaste Odisseu na rota sem pistas
Em busca de si mesmo, em busca ao caminho....
Que procuraste - poucos o sabem - o poeta
Bento Teixeira, à praia do Recife,
Para que Proteu cumprisse sua meta,
-Entre formas variadas e mutantes -
De narrar do Rei Luso qual seu esquife...
Assim, como ao grande Camões, pouco antes,
O fizeste escolher entre a musa amada
E a lira épica arduamente composta,
E viu o poeta Dinamene sufocada...
E quando o homem confiante de si mesmo,
Construiu o navio inaufragável posto à costa...
Fez numa noite afundar o sonho a esmo...
Poseidon! Neptuno! Que outro nome tens?
Pois os medos mais fundos de minha alma
Conhece qual conhece a onda em que vens!
......................................................
Não ousarei, como Ulisses, ofender-vos,
Antes, e constante, qual um Bento-Camões
Me filiarei entre seus mais fiéis servos!...
......................................................
......................................................
Silêncio! Ouço agora a vaga noturna
E num ronco inexprimível, eis o mar
Oceano da consciência em onda taciturna,
Porém tanto ritmada quanto abrupta,
Que governa o sentido deste sonhar,
Que a certeza firme a torna já corrupta...
........................................................
Poseidon! Neptuno! Que outro nome tens?
Pois, eis cá teu servo! À espera dum gesto
Visível como nas ondas em que vens!
Ou palavra que me seja compreensível
Como um decodificado almagesto
Que contenha a verdade pura e sensível!
...................................................................
...................................................................
...................................................................
Te vejo, vejo tua imagem bem aqui,
Toda feita em bronze e tão imponente,
E os hippies da feirinha sem dar por ti,
Na cidade Ocian, cujo nome, ao acaso
Se refere ao seu reino vasto ao poente...
E o eco dos pensamentos passa no ocaso...
"The Temple of the Rosy Cross" Teophilus Constantiens, 1618.
Pequena Ode Às Núpcias Alquímicas de Christian Rosenkreuz
Pequena Ode Às Núpcias Alquímicas
de Christian Rosenkreuz
“Que todos nós possamos ir ao encontro da grande revolução mundial que se aproxima, ao encontro da manhã da consecução”. Jan Van Rijckenborgh
“Calmo na falsa morte a nós exposto,
O Livro ocluso contra o peito posto” Fernando Pessoa.
“Até aqui explicamos os fenômenos dos céus e do nosso mar pelo poder da gravidade, mas ainda não designamos a causa desse poder” Isaac Newton.

1.
Vem a tempestade em fúria,
Vêm os ventos tão uivantes,
Minha cabana sem luxúria
Treme como nunca dantes
2.
Dá-me a virgem um convite,
Surgida da intensa névoa,
Sou levado, um que se admite,
No rumo da lei que elevo-a...
3.
Por uma corda dos céus
Subo agarrado e tenso,
Descubro lindo broquel
Encontro um mundo imenso...
4.
Se me vejo em quatro rumos,
Qual é o caminho certo?
O acaso de um vôo, presumo,
Me leva aos portões abertos!
5.
Brilham seis lanternas vivas,
Eis me ao templo em julgamento,
Diversa é a sorte aos convivas,
A minha é o conhecimento!
6.
Na balança, sete pesos!
Para pesar a cada alma...
A cada alma um contrapeso,
E à minha vez vale a calma...
7.
Vejo o Unicórnio, o Grypho,
Vejo a Pomba e o Leão,
Vejo a Fênix, leio os glifos,
Vejo a Águia e o Falcão!
8.
Ando no palácio real,
Conheço a biblioteca,
A câmara sepulcral
A dúvida se disseca...
9.
O tear que a tudo tece...
Procuro meu país no globo,
O temor se arrefece,
Sou às vezes qual um bobo!...
10.
Virgens lindas ciceronam
Os mais convidados cá...
Nossas almas se impressionam
Da Alquimia que aqui há...
11.
Troco minhas roupas, novas!
De adorno um tosão de ouro!
Temo ante as vindouras provas,
Mas já não sou só um calouro...
12.
Abre-se uma Escada Real
Que sobe aos outros andares,
Em espiral ao atro nupcial,
A novos humores e ares...
13.
Nessas núpcias mais herméticas,
Faço par com virgem azul,
Amores cá são magnéticos,
Une-se o céu ao norte e sul...
14.
Na casa do Sol se faz
A rica apresentação
Du’a peça teatral loquaz
De símbolos em canção...
15.
Numa cena preparada,
Seis reis são decapitados,
Suas cabeças são guardadas
E os corpos sudarizados...
16.
Em seis navios aportados
Seus esquifes ali postos,
A nós, se dá o tratado
De trazê-los recompostos!
17.
O trabalho jaz à Torre,
Em múltiplas operações,
E se o tempo logo corre
Em fogo e calcinações...
18.
Se descobre duas mortes
Da primeira é só a matéria,
Da segunda há consorte
O espírito em luz etérea!...
19.
Assim, em grã ato gnóstico,
Uma nova ressurreição,
E o final vero diagnóstico
É que o Sol é o coração!...
20.
Eu sou Christian Rosenkreuz,
Cada um de nós pode o ser!...
Quem já descria agora creu...
A obra atua em seu poder!...
21.
O que é mágico e belo,
Na íntima composição,
Dum encadear de mil elos,
A busca da última razão...
22.
Vejo estranhos sinais,
Traduzo-os com paciência,
E a lei descubro, ademais,
Por ter fé nessa ciência...

Leonardo da Vinci: Virgem das Rochas
A Virgem das Rochas
A Virgem das Rochas
Poema acerca de pintura de Leonardo da Vinci

Eis São João Batista, tão menino,
Ingênuo, o gesto da bênção já faz!
O outro nem se sabe talvez Divino,
Uriel nos indica isto, e o olhar de paz....

Num triângulo à divina proporção,
A Virgem quer deter do anjo o gesto,
Como a mãe, que em pronta reação,
Busca guardar seu rebento ao funesto...

Ao fundo, dedos-pedras, rochas-mãos,
Caverna-boca que se abre manifesta,
Delatando o abismo do coração

Da Terra, e heras de alucinação
Esfumaçam a cena e se empresta
Às Cores os símbolos dessa união.
Leila Míccolis
Jayro Luna:
Sent: Tuesday, July 04, 2006 9:42 PM
Subject: - Escrevi uns apontamentos sobre 3 poemas seus...

Oi Leila,
como tenho um pouco a mania da leitura crítica, resolvi escrever um breve
artigo sobre 3 poemas seus do livro Sangue Cenográfico. Pretendo publicá-lo
em breve numa revista de uma das faculdades em que trabalho.
Segue o texto para sua leitura e observação, caso queira modificar alguma
coisa ou sugerir, fique à vontade, espero que minha leitura de seus poemas
tenha sido de acordo e coerente.
abraços,
Jayro Luna
ps.: ainda não fiz a revisão final do texto, e talvez possa existir alguma
coisa de ordem ortográfica e gramatical a ser corrigida.
Leila Míccolis: - Jayro,
ando meio down, inclusive com uma gatinha (das mais queridas) com câncer já
sem chance sequer de cirurgia. Tudo isso está me angustiando muito, além de
uma série de acúmulos extras, inclusive em Blocos. Parei uns dias de
atualizar o portal para ver se conseguia fazer algumas coisas para mim
(inclusive o trabalho de pesquisa de Dissertação para meu mestrado, que tive
de entregar na terça-feira - com bolsa do CNPq não tenho como atrasar nem um
minuto...).
Só hoje, então consegui me agendar para ler seu texto, porque leitura
superficial é tudo que ninguém precisa... rsss...
Fiquei encantada. Eu que agora lido com trabalhos acadêmicos sei bem a
dificuldade que é fazer-se algo no gênero. E seu texto é precioso.
Acrescentou, inclusive, algumas dimensões que estavam apenas latentes e meio
inconscientes. para mim. Ou seja, você fez um belíssimo trabalho de garimpo,
e deu preciosidade à minha obra. Além de tudo, me fez ficar um pouco mais
alegre, por alguns minutos, uma enorme nesse momento bastante difícil e
tumultuado para mim. Muitíssimo obrigada. Posso divulgar no meu site?
Quando sair na revista, me mande um exemplar se for possível ou me forneça
mais informações para eu acrescentar no meu currículo pessoal, e também no
SIGMA e no CNPq.
Meu beijo agradecido,
Leila


--
Visite nossos sites culturais:
Blocos - http://www.blocosonline.com.br
Leila Miccolis:
http://www.blocosonline.com.br/sites_pessoais/sites/lm/index.htm
Urhacy Faustino:
http://www.blocosonline.com.br/sites_pessoais/sites/urha/dedic/dedic.html
-----



[ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: